Viver é aprender a morrer

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Com os devidos créditos utilizo o pensamento de Sêneca para ilustrar o título desse texto que trata de uma profunda reflexão em torno de nosso maior medo, ou seja, o temor que nos desperta a realidade da morte. Desde há muito filósofos e religiosos tem debatido sobre esse fenômeno natural que opera como consequência do nascer, isto é, ao nascer começamos nossa caminhada em direção a morte, no entanto, porquê tememos tanto esse inevitável acontecimento? É o que discutiremos a seguir.

O místico indiano Osho em “Coragem, o prazer de Viver Perigosamente”, conta que na Índia antiga havia um monge que dedicou sua vida a ensinar que viver é preparar-se para a morte de forma a não temê-la. O velho religioso ensinava como os espiritualistas tem ensinado, isto é,  o ser humano deve praticar o bem e o desapego em todas as circunstâncias da vida para que se sinta leve e desapegado das coisas do mundo a ponto de na oportunidade em que se defrontar com a morte possa dizer: bem vinda! Eis-me aqui, conduza-me ao local que esteja em conformidade com meu merecimento…

O velho monge viveu até os 94 anos, e no dia de sua morte, ainda acamado pediu que um de seus discípulos lhe trouxesse seus sapatos. Surpreso com o pedido o discípulo falou que ele não precisaria de sapatos para onde fosse, mas o religioso insistiu: me traga meus sapatos e uma pá. Calçou os sapatos apanhou a pá e mesmo sob protestos e escorando-se em paredes e cercas caminhou até o cemitério, cavou sua própria sepultura, despiu-se de sua roupa e ao entregá-la a um discípulo disse: vim para este mundo nu e nu retorno, deitou-se na cova e morreu…

A vida como uma escola nos proporciona oportunidades de aprendizado e desapego e semelhante aos estabelecimentos de ensino, os bons alunos são bem sucedidos no fim da lição terrena. O aprendizado em relação ao morrer perpassa pela consciência e pelo inconsciente a respeito de nossas próprias ações em relação à vida e ao outro. O medo da morte em si, então, talvez esteja ligado aos registros inconscientes de que falhamos na lição e que o nosso tempo escasseou-se.

Para Osho, o medo do fim, na verdade é um medo velado do começo ou recomeço, ou seja, no âmago de nossa alma soubemos que morrer é o descerramento libertador de uma nova vida, ou seja, quem morre terá de nascer novamente e ai está nosso real medo, visto que nascer nos causa um trauma dolorido ao adentrar nas atmosfera pesada da Terra. Inconscientemente possuímos medo mesmo é de renascer e a morte aponta sem  erros para essa possibilidade.

O que precisamos aprender é que a morte é uma alfândega entre as vidas que se sucedem. Aprender a morrer é preparar-se para cruzar por essa alfândega com as melhores bagagens possíveis, pois elas são cruciais para moldar os aspectos de uma nova existência.

Desde o nascimento estamos morrendo, com base nisso é preciso pois, aprendermos a ignorar os aspectos da morte exterior manisfestada nos sintomas da matéria que compõe o corpo que geneticamente apresenta em cada uma de suas células uma programação de autodestruição, já que nesse conglomerado composto de ossos, músculos, sangue e etc., milhões de células morrem diariamente e são automaticamente substituídas por outras…

É preciso ressaltar que o medo de morrer nada mais é do que a manifestação do ego desejando ser eternamente, pois quer manter-se na personalidade, no status, nos títulos e nos rótulos, mas, para isso ele precisa de um corpo que possa representar tudo aquilo que ele pensa ser e não é, pois, na vida tudo é transitório, exceto a alma que é eterna e se amplifica a cada renascer e morrer, portanto, aprender a morrer é valorizarmos e entendermos a morte por dentro, isto é, saber que a morte não é o fim, mas apenas uma transição, é a alma abandonando o corpo para renascer em outro.

 

Davi Roballo 

Jornalista, Especialista em Comunicação e Marketing \ Especialista em Jornalismo Político.

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