Colcha de retalhos


Um dia resolvi ser EU mesmo,
Então, olhei-me em um espelho
E vi em minha face
Traços de minha mãe,
A autoridade de meu pai,
A complacência dos irmãos,
As lições dos professores,
O carinho dos amigos,
O afeto dos amores
E muito mais acontecimentos
Que me tornaram o que sou…

Comecei a desnudar meu EU
E quando percebi,
Estava sobre uma mesa
Fatiado em mil pedaços
E, em nenhum
Havia algo que fosse EU.

Deixei de existir por um momento,
Só voltei a Ser
Quando remendei todas as fatias,
E cobri-me com a colcha de retalhos
Que sempre foi minha pele;
Guardei desde então,
Uma grande lição:
Não há como ser EU mesmo,
Pois todos estão em mim,
Assim como estou em todos,
Que pisaram e pisam onde pisei,
Sou na verdade um conglomerado,

Uma soma de experiências alheias.

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