Ano novo, velhos hábitos…

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renascer

É no inicio do ano que existe a oportunidade de refazer nossas forças, como, também, reforçar nossos laços afetivos, sociais e religiosos, pois todos esses aspectos de nossa vida são vitalmente importantes para que os trezentos e sessenta cinco dias subsequentes ─ dias de produção ─ sejam realmente produtivos em todos os aspectos de nossa vida. É nesses dias de celebrações que olhamos um pouco para nós mesmos e para os que nos rodeiam.

Mais um ano se inicia e novas esperanças são plantadas em nossos canteiros existenciais. É nessa época que nos propomos a renovar nossas atitudes, comportamentos e a forma de vermos a vida, no entanto, o rolo compressor do tempo se apresenta e vai sufocando nossos anseios e desejos mais profundos, pois para alcançar o que almejamos na maioria das vezes é preciso cortar amarras e amputar partes de nosso ser que não nos pertencem, como por exemplo: o supérfluo que em nada nos ajuda, pelo contrário, se torna um peso desnecessário.

A cada novo ciclo renovamos nossos anseios e desejos por dias melhores como se esses períodos iniciais de novas épocas portassem a panacéia para todos os males, sem que precisássemos nos mexer para alcançar nossos desejos. Ainda estamos aprendendo que são as atitudes ante as ocasiões que nos transformam e não as ocasiões por si mesmas.

Nos restantes dias do ano vivemos tão focados em nós mesmos que custamos a perceber que novos ciclos de tempo apontam para novas expectativas, mas que cabe a nós buscá-las, e transformá-las em realidade. É preciso movimento, atitude, poder de decisão, como também sentir o gosto da frustração, da derrota e mesmo assim, prosseguir de cabeça erguida com a graça de um bom soldado que não foge de uma luta e jamais com o semblante de uma criança mimada que se sente vitima das circunstâncias.

O tempo é implacável, não há evidencias de que tenha parado alguma vez ou retroagido para que algum humano pudesse chorar na quina de uma calçada do próprio caminho, lamentando o desmoronar de seus sonhos de infância e pelo desperdício dos dons que trouxe junto a sua alma.

Nos trezentos e sessenta e cinco dias do ano precisamos manter acesso dentro de nós todo otimismo que surge nessas datas pontuais que apontam para uma renovação, seja o inicio de um novo ano ou aniversário. É preciso descortinar novos horizontes e não apenas apreciá-los a espera que eles venham até nós. É preciso perder o medo de tentar, de arriscar, pois só chega a algum lugar quem antes de tudo aprende a perder, a fracassar e mesmo assim consegue buscar forças para continuar, ou seja, não desanima da vida e dos sonhos.

Talvez o que nos impede de enfrentar novos desafios seja a opinião alheia diante de um possível fracasso. Nietzsche endossa esse ponto de vista e diz que o homem por desleixo teme ser ele mesmo e por isso prefere o anonimato do rebanho. “Sê tu mesmo! Tudo o que ambicionas agora, tudo isso não é tu”, nos alerta o pensamento nietzschiano. O filósofo alemão enfatiza que o homem é destinado à felicidade, mas não o é, por viver atrelado as opiniões alheias. Isto é, o homem é livre para transformar a própria vida, pois, segundo esse filósofo, “Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás para atravessar o rio da vida ─ ninguém, exceto tu, só tu (…)”.

Poucos são os que conseguem pôr em prática seus planos e aspirações. O segredo: são pessoas que não têm medo de arriscar. Pessoas que conhecem o gosto doce da vitória e o gosto acre da derrota, pois preferem buscar a superação e dispensam a possibilidade de ficar à sombra numa zona de conforto, escravizadas pelo medo de tentar, pelo medo de mudar… protegidos pela opinião alheia.

Davi Roballo 

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